História do Japão

História do Japão

A aparecimento da corte imperial de Yamato

No paleolítico, o agora arquipélago japonês fazia parte de um mesmo continente, e portanto estava rodeado de terra. Os seus povoadores viviam da caça e criavam utensílios de pedra. Posteriormente, o cultivo do arroz tornou-se no centro estrutural da vida, e deu origem ao aparecimento dos primeiros agrupamentos de pessoas nas zonas de cultivo. No ano 239, a Rainha Himiko do estado ancestral de Yamataikoku governa estas populações durante aproximadamente 30 anos, e estabelece relações de intercâmbio com a dinastia Wei da China.

Durante a segunda metade do século III, a corte imperial de Yamato ocupa o poder e expande o seu domínio através da construção de grandes túmulos. O imperador Tenmu e o Príncipe Shotoku fundam as bases do antigo código civil, administrativo e criminal do Japão, e, para dar estabilidade ao império, o centro governativo passa-se para Asuka. Foi nestes anos que os ensinamentos do Budismo se estenderam por todo o território japonês.

De uma sociedade aristocrática a uma sociedade Samurai

No ano 710, a capital imperial passa a ser a cidade de Nara. Este é o período em que se edita o segundo livro mais antigo sobre a história do Japão (o Nihonshoki), a colecção de poesia Manyoshu, bem como informações sobre topografia (Fudoki). No ano 794, Quioto torna-se na nova capital do império japonês. Esta etapa, chamada também de era Heian, caracterizou-se pelo cessar do intercâmbio com a China e o enraizamento da cultura única e peculiar do Japão ("kofuku bunka"). Aparecem obras como "Genji Monogatari" (O Conto de Genji) e "Makura no Sōshi" (Notas de Cabeceira), bem como os alfabetos Hiragana e Katakana.

O governo passa a ser um sistema no qual o antigo imperador reteria o seu poder a partir de um retiro (insei) enquanto o imperador titular cumpre com os seus deveres e obrigações. A classe guerreira faz a sua aparição. Destaque particular para a luta entre o clã Taira, liderado por Kiyomori, que sucumbiu perante o clã Minamoto, liderado por Yorimoto.

当時の貴族の生活がわかる (源氏物語絵巻)

A classe política guerreira (Samurai)

O xogunato de Kamakura foi o primeiro regime militar do Japão, no ano 1185. Após o falecimento de Yorimoto, o clã Hojo sobe ao poder, mas, com a invasão do Japão pelo império Mongol, o xogunato de Kamakura foi destruído. O imperador Go Daigo foi quem herdou o poder após a caída do xogunato de Kamakura, mas na sequência da revolução de Ashikaga Takauji o centro do governo do Japão divide-se entre Quioto e Yoshino. A batalha entre ambos os clãs sai a favor do clã Ashikaga, e foi Ashikaga Yoshimitsu quem inaugurou a época do xogunato Muromachi, no ano 1336.

Em 1467, estala a guerra civil: Toyotomi Hideyoshi e Oda Nobunaga acabam com o xogunato de Muromachi e impulsionam a unificação do Japão. O Cristianismo é introduzido no Japão pela mão de Oda Nobunaga, e a chamada Sengoku-jidai (época dos estados combatentes) estende-se até ao ano 1568. A morte de Toyotomi Hideyoshi foi a origem da guerra de Sekigahara, que culminou na proclamação de Tokugawa Ieyasu como novo governante. Ieyasu instaurou o xogunato de Edo, mais conhecido com a era Edo. A época de isolamento do Japão começou durante este período, e as relações diplomáticas mantiveram-se apenas com a China e a Holanda, continuando interrompidas com os outros países estrangeiros. O Cristianismo foi também proibido nesta fase. No final do período Edo, e consequentemente do xogunato Edo, deu-se no ano de 1853; a seclusão havia chegado ao fim, e de novo de abriu o país ao tráfego marítimo. Esta fase da abertura das fronteiras e o final do xogunato Edo é conhecida como Bakumatsu.

Da abertura das fronteiras à modernização do país

Com a queda do xogunato, o Japão concentrou-se numa progressiva modernização e voltou a instaurar o governo de um imperador e a constituição Meiji (constituição do império do Japão). No ano 1895, o Japão vence a China na primeira guerra Sino-Japonesa pelo controlo da península de Liaodong e de Taiwan, mas foi forçado a devolver a soberania da península de Liaodong por intervenção da Rússia, França e Alemanha sobre o tratado de Shimonoseki. Isto, por sua vez, deu origem ao início da guerra Russo-Japonesa, ainda que finalmente se tenha chegado a um acordo de paz. Em 1914, estala a Primeira Guerra Mundial, e o Japão une-se à frente anglo-japonesa, convertendo-se posteriormente num membro definitivo da Sociedade das Nações.

Da derrota à actualidade

No ano 1931, o Japão ocupou a Manchúria e esta acção não foi tolerada pela Sociedade das Nações, que expulsou o Japão da sua comitiva. No ano 1937 começa a segunda Guerra Sino-Japonesa, ao mesmo tempo que o Japão se aliava à Itália e à Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1941, o Japão parte para a guerra do Oceano Pacífico, mas a queda das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki em 1945 obriga o Japão a render-se.

Posteriormente, foi proclamada a actual Constituição do Japão e deu-se início a um rápido período de crescimento económico que levou o Japão a transformar-se na segunda potência económica mundial. No entanto, o advento da crise financeira da segunda metade do século XX trouxe consigo efeitos negativos que perduraram imenso no tempo, até que finalmente chegaram sinais de uma mudança para melhor.

Ruínas de um edifício destruído pela bomba atómica ("Genbaku dome")